Existe
uma diferença
entre o aspirante a escritor e o escritor: aspirante é o que sonha sempre em ser escritor;
o escritor é aquele que senta à mesa com um papel e caneta na mão e escreve.
Eis-me aqui transpassando essa ponte.
Me
dei conta de que não (consigo) namoro(ar) mulheres que não conheçam ou não
gostem de Velvet Underground ou The Strokes. Meus melhores e mais
duradouros relacionamentos amorosos (e de amizades) foram pautados/fundamentados
em música! Gostos musicais semelhantes e mutuamente estimulantes (quando um
apresenta músicas, discos e bandas para o outro e vice-versa). Nessa lista
estão 4 de minhas namoradas que mais amei até hoje. Desde conversas sobre
bandas, cantarolar de um refrão, assobiar baixinho um riff de canção ou mesmo termos “músicas de namoro” daquelas que
quando ouvimos novamente em outros contextos sentimos os mesmo calafrios e
lembramos afetivamente de cheiros, sabores, sentimentos, situações e sensações...
A boa música estava também no presentear com CD/LP/DVD originais (na época que
isso fazia sentido), com pendrives repletos de set lists mais que fodas e também ingressos de shows para curtirmos
juntinhos. Sem falar nas músicas que colocávamos para tocar em horas
românticas. Tudo conta, tudo ajuda e tudo une. Pois assim estamos literalmente
em uma mesma sintonia, numa mesma vibração, num mesmo comprimento de onda, numa
plena comunhão de corpo, alma e coração. Porque Música é feelings, boa música é good
vibration e o amor é a Good Vibration por excelência e majestade!
Uma
amiga indie e produtora cultural que dizia: “Gostamos uns dos outros por afinidades musicais e culturais, muito mais
do que por virtudes ou algo que o valha”. Polêmica, generalista, mas em
parte verdadeira expressão. Nestes 7 anos no Rio nunca vivi um amor daqueles
que vivia em Minas ou Espírito Santo, com tamanha proximidade entre corações,
em profundidade e pureza de sentimentos. Vai ver porque aqui o Rock que me satisfaz
praticamente não existe! Aqui é a terra do samba, do funk e do pagode, das
Anittas e Arlindos Cruzes. O que há por aqui são flertes fugazes, “amores de
fins de semana”, matchs de Tinder,
casualidades semi-formais desprovidas de essência, pautadas em formas,
aparências, comodidades e sensações táteis. Tudo muito distante de corações palpitantes,
olhares magnéticos, sorrisos abertos e fortes compatibilidades
culturais/musicais-literárias. Fato é que
gurias Rock’n’Roll colocam a vida em
tom maior, e namoro bom é namoro com trilha sonora que ambos adorem, que amem!
Amem!
Nenhum comentário:
Postar um comentário