De onde vem a p*##@ do medo de amar?
Vem do receio da rejeição, da decepção de poder quebrar a cara, de abrir o peito e ser ferido desavisadamente, ou de uma possível "perda de liberdade relativa"?
A indecisão entre a vida de solteiro Rock'n'Roll com diversos matchs e encontros anônimos vs. um relacionamento fixo monogâmico "seguro" só atrapalha, faz um bolo entre as linhas do coração e da cabeça. Seria muito mais fácil ao se decidir logo, permanecer na fé cega daquela escolha. Mas, se o namoro não for tão seguro assim, e se rolar ciúmes, carências e sentimento de solidão/abandono mesmo "juntos" ? E se a solteirice for mais clara em suas clausulas: diversão, leveza, favores sexuais, troca de afetos sem pretensão de continuação? Sem crises, sem D.R., sem cobranças, sem "questões".
Por outro lado, quantas temporadas durariam a "chuva na horta"? Épocas de fartura/abundância podem ser bruscamente alteradas para secas duradouras. E quem estará lá para "salvar"? Nisso o namoro vence. Por todas as responsabilidades e riscos que um relacionamento envolva, há uma conexão evidente, e qualquer ato de traição por qualquer uma das partes é enfaticamente reprovável. Nisso mora a confiança: na consciência do outro. Então viria o medo de amar do medo de confiar?
Para isso há a lei do karma, causa e efeito. Sendo assim, só precisamos nos preocupar com o que fazemos, com a nossa parte, nossa própria conduta, nossa ações e o que doamos na relação. Como a outra pessoa receberá ou como reagirá são alternativas e atitudes dela para com a vida que se apresenta. Ok...tranquilizando o "medo do outro" surge aí o medo de si mesmo, de saber lidar com as situações, os pensamentos, desejos e sentimentos envolvidos, de ambos os lados. Como se colocar, como se expressar, o quanto se doar, e o quanto se resguardar, avançar ou defender, conquistar ou deixar-se seduzir, freiar ou acelerar, declarar ou disfarçar...? Quantas interrogações!
Amor foi feito para viver sem pensar, apenas 'fazer', amar, agir na prática, no feeling do momento, ser, estar, beijar, sentir, sorrir...toda essa teoria não entra no campo. Todavia, ela também serve para algo, é desse "excedente", dessa reserva, dessa sobra que nascem as músicas, os livros, os filmes de romances, as cartas de amor, as poesias e até esses textos mal escritors, garranchos improvisados. No final das contas tudo conta, tudo vale, tudo serve: das agonias da saudade até a breve, mas ansiosa espera para a resposta daquela mensagem de texto, ou para o próximo encontro com a amada. No amor nada se perde, tudo vira história, seja vivida ou contada. O que não se escreve com tinta se escreve com saliva e batidas fortes do coração.
Agora está mais do que clara minha decisão. Nada de várias gurias, deixo só para uma delas minha atenção. Tal clareza vem de eu perceber que já estou sendo fisgado pelo anzol da paixão. E com o cupido não se brinca não! Já dizia a canção: "Don't you mess with cupid"
(Humberto Lacerda Brum, 16/02/2018, Niterói-RJ)
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
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