segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Sharing Songs

     Existe uma diferença entre o aspirante a escritor e o escritor:  aspirante é o que sonha sempre em ser escritor; o escritor é aquele que senta à mesa com um papel e caneta na mão e escreve. Eis-me aqui transpassando essa ponte.
    Me dei conta de que não (consigo) namoro(ar) mulheres que não conheçam ou não gostem de Velvet Underground ou The Strokes. Meus melhores e mais duradouros relacionamentos amorosos (e de amizades) foram pautados/fundamentados em música! Gostos musicais semelhantes e mutuamente estimulantes (quando um apresenta músicas, discos e bandas para o outro e vice-versa). Nessa lista estão 4 de minhas namoradas que mais amei até hoje. Desde conversas sobre bandas, cantarolar de um refrão, assobiar baixinho um riff de canção ou mesmo termos “músicas de namoro” daquelas que quando ouvimos novamente em outros contextos sentimos os mesmo calafrios e lembramos afetivamente de cheiros, sabores, sentimentos, situações e sensações... A boa música estava também no presentear com CD/LP/DVD originais (na época que isso fazia sentido), com pendrives repletos de set lists mais que fodas e também ingressos de shows para curtirmos juntinhos. Sem falar nas músicas que colocávamos para tocar em horas românticas. Tudo conta, tudo ajuda e tudo une. Pois assim estamos literalmente em uma mesma sintonia, numa mesma vibração, num mesmo comprimento de onda, numa plena comunhão de corpo, alma e coração. Porque Música é feelings, boa música é good vibration e o amor é a Good Vibration por excelência e majestade!
     Uma amiga indie e produtora cultural que dizia: “Gostamos uns dos outros por afinidades musicais e culturais, muito mais do que por virtudes ou algo que o valha”. Polêmica, generalista, mas em parte verdadeira expressão. Nestes 7 anos no Rio nunca vivi um amor daqueles que vivia em Minas ou Espírito Santo, com tamanha proximidade entre corações, em profundidade e pureza de sentimentos. Vai ver porque aqui o Rock que me satisfaz praticamente não existe! Aqui é a terra do samba, do funk e do pagode, das Anittas e Arlindos Cruzes. O que há por aqui são flertes fugazes, “amores de fins de semana”, matchs de Tinder, casualidades semi-formais desprovidas de essência, pautadas em formas, aparências, comodidades e sensações táteis. Tudo muito distante de corações palpitantes, olhares magnéticos, sorrisos abertos e fortes compatibilidades culturais/musicais-literárias.  Fato é que gurias Rock’n’Roll colocam a vida em tom maior, e namoro bom é namoro com trilha sonora que ambos adorem, que amem! Amem!

(Humberto Lacerda Brum, 22-01-2018, Niterói-RJ)