A manhã de
hoje me lembrou que um dos meus escritores preferidos não é nenhum europeu
arrogante, nenhum ganhador do Pulitzer ou Nobel, nem mesmo um latino
marginal...bem, se considerarmos brasileiros latinos pode até ser, rs, e
marginal ele épra caraleo, é tanto que já escreve há uns 20 anos e até agora
não pariu um livro. Mas, neste texto que li hoje ele diz estar cansado de voar
abaixo dos radares e usou frases com expressões como “how deeper you go, how high you fly” e algo sobre um carro a
duzentos por hora batendo num muro, hehehe. Anyway, he’s alive, and explosived...I
guess.
Gostei de
ler, ele está na ativa ainda, depois de uns 5 ou 6 blogs, continua o mesmo em
muita coisa, o que por um lado é deprimente e por outro é genial. Genial como
sempre na literatura, nesse campo ele é meu anti-herói! Possivelmente um dos 5
seres humanos que mais me inspiraram na literatura. Lendo seus primeiros blogs
que tinham nomes mitológicos ou de referências à Sonic Youth, na época que eu nem tinha computador e pagava internet
na lan house para escutar discos punks e ler seus textos. Haviam outros dois ou
três amigos na equipe, também escrevendo online. Eu escriva mesmo era no papel,
dobrava e guardava. Até hoje meu melhores textos são assim, alguns até em
guardanapos. Os melhores para mim, pelo menos.
Na escrita
ele está foda, na fotográfica: barroco; nas músicas um pouco gay e globalista demais para meu gosto,
e nos gostos e referências culturais ainda out
of box; porém, algo fede naftalina ou cerveja choca (tá bem, não vou ser
tão cruel de novo com ele, cerveja choca não, um café requentado tá bom,
palatável); ficou estanque em certos escritores e em algumas ideias que tinham
tão longínquas, tão temeroso de entrar na água gelada para atravessar as caudalosas
correntes, que até hoje está à margem molhando os pés e os voltando ao sol na
pedra seca.
Toda vida
achei x7 mais culto que eu, lia e escrevia inglês quando eu nem conhecia o
FISK, citava frases em francês cantando garotas magrinhas de franjinha (tá,
isso não sei se fazia, mas tinha todo esse ar, rs); conhecia x200 mais músicas
que eu e quando fui ver Godard ele já tinha terminado de assistir a filmografia
de Truffaut (mais um “chute de expressão”). No entanto, telas e páginas à
parte, no dangerous real world creio
que fui mais longe nas experimentações e “voltei”, ou não… Fato é que ele fez
um filme que foi até premiado! Isso foi awersome.
E também formou em jornalismo – curso que eu venerava na adolescência.
Porém, eu
formei em Produção Cultural, algo muito mais próximo de nosso sonho de viver de
cultura, música e literatura. Sonhávamos ter banda juntos, criamos nome e até
capa de disco. Mas, ele não aprendeu a tocar nada. Mal ou bem “risco o dedo” no
violão e guitarra e já tive a felicidade de tocar em duas bandas e até tocar
sozinho como músico de rua. Há muito tempo ele tinha um olhar 43 discreto para
o ocultismo, mas dizia não estar preparado física nem psicologicamente para
tal. Eu fui lá, desvendei a coisa toda, desbravei territórios sagrados e
perigosos, sombrios, trevosos, misteriosos e luminosos feito a luz do meio-dia:
cabala, tarot, yoga, ordens secretas e tudo mais. Para depois de profundos
mergulhos sair escalando para fora do inferno e voltar ao nível do mar, para ensaiar subidas
de outras montanhas e escadas. Enquanto ele passava anos letárgicos no niilismo
cretino. Passei por quase todas religiões, colhendo tesouros em pérolas de
aprendizado verdadeiro e desmistificando falácias e dogmas vazios. E por falar
em mistérios e natureza, encontrei essa grande beleza: a astrologia. Uma sabedoria
tão amada e sagrada quanto a música e meditação.
Quanto às mulheres, não sei como ele se saiu nessa
última década. Mas fui bem, obrigado. Exceto nos últimos 3 ou 4 anos. Em uma
coisa ele me ganhou nessa seara: em escrever sobre suas musas. Seus textos magníficos
vez em sempre tem a presença ou a ausência reclamada de uma entidade feminina;
seja garota inspiradora, mulher ficante ou amor platônico imaginário, inventado
só para escrever bonito. Nisso falhei miseravelmente! Com tantas distrações e
egoísmos cegos, mal escrevi para minhas amadas. Poucas foram as que receberam
cartas ou e-mails de abrir sorrisos e molhar os olhos (talvez só as duas
namoradas de maior duração receberam tamanha atenção adocicada). Fui mesquinho
com um possível talento que tive, assino a culpa. Todavia, ainda há conserto.
Tenho muitas mulheres ainda para conhecer, apaixonar, amar, sofrer, odiar,
esquecer...
Na
fotografia considero que estamos quites. Ele faz ótimas fotos, mas boa parte
delas são terríveis e so over. Economicamente
ele está na frente, tanto faz, nos últimos 6 anos ignorei irresponsavelmente
este setor da minha vida, hoje pago por isso, ou melhor, nem consigo pagar.
No final
das contas acho que estamos bem. Ainda sou um vilão para ele. Desde o dia que
escrevi um texto criticando uma crônica que ele escrevera – nunca avalie mal um
leonino, isso pode ser fatal para sua amizade! Enfim, avancei em algumas áreas,
retrocedi em outras, ele fez parecido, talvez nos setores complementares. O
fato é que ainda estamos aos tropeços e catravancos da vida nos aperfeiçoando
em cultura, arte e insistimos em escrever, conhecer e divulgar cultura, conteúdo
fora do hegemônico, com personalidade, atentos ao que se apresenta com estilo,
bom gosto e originalidade.
Não nos
falamos, assim não nos influenciamos nem imitamos um ao outro, mas de longe nos
comparamos, e uma hora ou outra ainda nós dois sairemos do “baixo-radar” e
pariremos algum livro...ou disco. Segue o jogo!
(Humberto
Lacerda Brum, 11/08/2017, as 11:15,Niterói)